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Neurociência social: a interação social de vários cérebros.

As neurociências tradicionalmente têm sido associadas ao cérebro como entidade central e isolada de seus estudos

Marcello Casal .JR/Agência Brasil

A representação mental que a maioria das pessoas tem a respeito das Neurociências envolve a imagem de um cérebro, com neurônios, regiões cerebrais e neurotransmissores. Nessa ideia popular, as relações humanas e a dimensão social dos seres humanos parecem pertencer a outro domínio de estudo, que nada tem a ver com a Neurofisiologia ou Neuroquímica. No entanto, cada vez mais f ica claro, à medida em que as Neurociências amadurecem, que o ambiente social, o comportamento e o cérebro têm enorme influência mútua, e estão em contínuo processo de interdependência. Esse movimento tem sido chamado de Neurociência Social e envolve o estudo interdisciplinar, em múltiplos níveis, de mecanismos neurais, hormonais, celulares e genéticos subjacentes a organizações, que transcendem o indivíduo isolado. Em outras palavras, processos sociais influenciam eventos neuro-hormonais, da mesma forma que processos neuro-hormonais influenciam o comportamento social.

Um exemplo dessa influência recíproca pode ser encontrado na variação do nível do hormônio testosterona, que pode ser disparado por gatilhos sociais. Em macacos, um aumento do nível desse hormônio impele os machos ao comportamento sexual. Por outro lado, a simples observação de que fêmeas, sexualmente receptivas, estão por perto aumenta a secreção de testosterona. Em um estudo conduzido na Austrália, rapazes adolescentes faziam duas manobras de skate, uma delas bem simples e executada com facilidade. Já a outra manobra era bem difícil e ousada, e a dificuldade levava a um tombo, na maioria das vezes. Um grupo de garotos fez as duas manobras dez vezes na frente do pesquisador e, depois, repetiu tudo de novo.

NOVAS PESQUISAS CADA VEZ MAIS AMPLIAM A VISÃO CONVENCIONAL, MOSTRANDO QUE O SISTEMA NERVOSO NÃO PODE SER CONSIDERADO DESASSOCIADO DOS AMBIENTES SOCIAIS, NOS QUAIS ESTÁ IMERSO

Outro grupo fez o mesmo, só que, desta vez, tiveram que desempenhar na frente de uma garota muito atraente de 18 anos. Com a garota observando, os garotos tentaram mais a manobra difícil. Análise da saliva dos garotos mostrou que a testosterona se elevou na frente da garota e sua ação no cérebro induziu os adolescentes ao impulso de demonstrar saúde e vigor, assumindo mais risco. Ou seja, a visão de uma garota atraente aumenta a testosterona e faz os garotos se exibirem, mostrando coragem ao correr risco maior. Em nosso passado evolutivo, as fêmeas selecionavam os pretendentes com base em demonstrações de coragem e habilidades, que poderiam ser úteis para proteger e alimentar a prole. Portanto, os exibidos tendem a chamar mais a atenção das meninas, conferindo um “prêmio Darwinista” de mais chances de reprodução aos afoitos. Pena que o mesmo mecanismo possa levar a mortes de adolescentes por exibição em rachas de moto ou carro…

Portanto, a imagem de um cérebro isolado, respondendo, passivamente, a comandos de genes ou fármacos, deve ser substituída pela compreensão de que nosso sistema nervoso está imerso em um conjunto dinâmico e recíproco de influências de ordem biológica, psicológica e social. A Neurociência Social é um campo de estudo em múltiplos níveis, reunindo Neurociência Comportamental, clínica e afetiva, Psicologia Social, Psicologia Evolucionista, Antropologia, Ecologia Comportamental, Etologia, dentre outras disciplinas, todas somando seus esforços para entender a única coisa que supera, em todo universo, a complexidade do cérebro humano: a interação social de vários cérebros.

Para saber mais:
Decety J, Cacioppo JT (eds) The oxford handbook of social neuroscience. Oxford University Press, New York.
Ronay R, von Hippel W (2010) The presence of an attractive woman elevates testosterone and physical risk taking in young men. Social Psychol Pers Sci 1:57–64. Ano 2011.

Fonte: (Psique)

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2 Responses

  1. Rose Correia disse:

    Ótima explicação.
    Gostei e me ajudou a ente der vem sobre neurociência social.
    Obrigado.

  2. Rose Correia disse:

    Ótima explicação.
    Gostei e me ajudou a entender bem sobre neurociência social.
    Obrigado.

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