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Neuroeconomia – Introdução e perspectiva

Os fatores cognitivos (emocionais) nos processos decisórios foram por muito tempo negligenciados pela Teoria Econômica Tradicional. Pregava-se que o Homem Econômico, utilizava-se de uma racionalidade perfeita para a tomada de decisão. Essa visão foi aos poucos sendo questionada e contestada, por outras áreas do conhecimento, como a Psicologia Econômica e pelas Finanças Comportamentais. Mais recentemente, a Neuroeconomia trouxe novas descobertas que reforçaram a visão dessas outras disciplinas, pelas quais o homem não consegue dissociar elementos psicológicos, ou seja, evitar ser influenciado pelo inconsciente no momento da tomada de decisão.

Essas decisões sejam elas pequenas ou grandes e que vão desde a escolha de um item em uma prateleira de supermercado, à escolha de qual profissão prestar no vestibular e a data do casamento, são influenciadas por nossas memórias, percepções do ambiente e demais fatores emocionais e psicológicos que impedem que a tomada de decisão seja perfeitamente racional.

A relevância do tema a ser tratado, está em entender esses fatores emocionais e psicológicos para que de posse destes conhecimentos, possamos compreender o que nos influencia, e com isso podermos tomar melhores decisões em nossa vida cotidiana, familiar e profissional.

finanças-comportamentais

Um exemplo clássico da forma irracional do processo de tomada de decisão, pode ser observado pelo comportamento de manada nos mercados financeiros, muitas vezes notado nas grandes oscilações, ou assim chamados “crash” das bolsas. O caso clássico ocorreu quando houve a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929, ou mais recentemente das crises advindas do estouro das bolhas financeiras, na virada do milênio causada pela quebra das empresas ponto com ou do subprime em 2008. Essas oscilações são distorções resultantes da alocação inábil de recursos financeiros, influenciados por boatos, medo e ganância, que por sua vez, resultam em mercados ineficientes.

É de conhecimento geral, que o processo de tomada de decisão humana está diretamente ligado a alocação de recursos em diferentes contextos econômicos, ou seja, toda decisão, traz uma consequência para a economia. Por isso a necessidade de compreender de forma mais assertiva esses vieses cognitivos. Imaginem as consequências dessas decisões, quando refletimos em escala global!?

Outro exemplo muito interessante são nossas tendências naturais:

1) A aversão às perdas: Isso significa que somos tendenciosos a sair de um projeto ou investimento para evitar perder algo, mas não teremos a mesma atitude para ganhar algo mais. Isso propõe a ideia de que as pessoas correm muitos riscos para não sofrerem perdas, ao mesmo tempo que evitam riscos, ainda que muito pequenos, que lhes permitiriam ganhar algo.

2)Também somos predispostos a fixar naquilo que consideramos ser «meu», partindo de um pressuposto de que quando eu considero que algo é «meu» atribuo-lhe um valor extra.

Variados estudos realizados com base na Psicologia Econômica, Finanças Comportamentais e Neuroeconomia, consolida a ideia de que essas distorções de percepção e avaliação estão presentes no processo decisório, simplesmente pelo fato de nossas mentes estarem suscetíveis às interferências psicológicas, sociais, culturais e principalmente biológicas. Faz-se necessário uma abordagem que integre diferentes áreas do conhecimento, para que possamos ter uma visão completa desses fatores.

Talvez um dos principais desafios da Neuroeconomia, é encontrar padrões de comportamentos, onde se faz necessário o uso métricas e equipamentos que consigam mensurar as respostas biológicas do corpo humano em situações de exposição a algum estímulo, como por exemplo, assistindo a um comercial de televisão, utilizando um produto ou serviço, ou experienciando um novo aroma. Esse recolhimento de dados é feito pela integração entre psicometria (avaliações em questionários, por exemplo) biometria (equipamentos como Eye Tracker, Resposta Galvânica da pele, etc) e Neurométrico (Eletroencefalografia, Ressonância Magnética Funcional). Isso permite uma análise detalhada das reações inconscientes ao estimulo estabelecido e assim, por fim, estabelecer recomendações mais precisas acerca do processo de tomada de decisão e padrões do comportamento humano dentro cenário de consumo.

 

Abaixo, o video criado pela Prof.ª Dr. Camila Campanha (responsável pelo próximo Curso em Neuroeconomia), que ilustra um pouco mais a ideia e o conceito.

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